quarta-feira, maio 16, 2007

We are the Earth Intruders


Não consigo viver sem música. Sem cinema também. São duas paixões que caminham juntas e que me transformam num ser dependente. Não há sentido na minha vida, sem que estas duas formas de expressão artística estejam presentes. E, como toda pessoa ansiosa e ávida pelo consumo do que gosta, a simples existência deles não me basta. Necessito sempre de novidades, de reinvenções, de novos sons, de novos planos, de novos ritmos, de novas lágrimas.
Sou sedento pela novidade. Como se um som novo me fizesse repetir as experiências de uma primeira vez, busco sempre estar atualizado com tudo que há de vir desses dois campos imprescindíveis. Não sou daqueles que se fecha ante às novidades, para exaurir ao máximo o que já se tornou passado. Eu escuto a mesma música mil vezes, se ela mexer comigo, mas não deixo de, nos intervalos, buscar novas músicas que me façam experimentar novas sensações. Admiro e amo os clássicos do cinema, mas estou sempre à espera de uma inventividade, seja na forma de contar um roteiro, seja na forma de posicionar uma câmera, seja na linguagem que tal filme utiliza.
Valorizo por demais a originalidade dos jovens artistas que servem como um receptáculo da reciclagem do que marcou época, acrescendo características próprias dos tempos modernos. É como reviver o passado, sem que seja considerado antiquado. É como re-experimentar velhos momentos com cara de novos. É como se sua (seu) esposa (o) tão amada (o), mas já sacrificada (o) pelos efeitos do tempo, reaparecesse certa noite com a pele menos ressecada, com a carne mais firme e cheiro de nova flor. Funcionam dessa forma novas estrelas, como Amy Winehouse, Lilly Allen, Artic Monkeys, Mystery Jets, Muse, entre muitos outros. Dentre os astros da telona, ressalta-se a inventividade de Charlie kaufman, Michel Gondry, Shyamalan, David Fincher, do Mestre Tarantino, Chan Wook Park, Alejandro Gonzalez Iñarritú, Darren Aronofsky!!
Mas um ponto especial a esse raciocínio deve ser direcionado àqueles artistas que dão um passo à frente. Àqueles que bebem de fontes passadas, mas fazem brotar de seus chafarizes novas cores, novos sons, novas sensações. Estes não são apenas reinvenções bem-vindas: são inventores. Ditam moda, seguem sempre no começo da fila, quebram antigos padrões, criam novos. Nos anos 60, BEATLES. Na década seguinte, a disco music deu o seu recado. Nos anos 80, Michael Jackson e Madonna ditaram as regras. Esta última perdeu em originalidade, mas continua por méritos espirituais inexplicáveis, à frente de todo e qualquer processo musical. MJ não merece comentários. Nos anos 90, não me vem à mente nenhum grande nome que funcione com divisor de águas, mas foi nela que basicamente se originou, cresceu e sedimentou-se, passando a perdurar pela virada do século, demonstrando que ela é o futuro, a melhor contribuição islandesa à humanidade. Ela se chama Björk.
Dona de um timbre de voz nunca antes ouvido neste Planeta, e de uma forma de utilizá-lo completamente original e inusitada, Björk é muito mais do que uma artista de vanguarda. Ela é o que há de novo. Tudo que ela realiza leva o toque de um gênio, refletido em sua inventividade e capacidade de renovar-se. Ouvindo sua discografia, é possível perceber a Obra de uma artista incompleta por natureza, intraduzível, inexplicável. É capaz de tornar sons guturais em obra-prima e de emocionar milhões com sua Selma, de "Dançando no Escuro" (sua bem-sucedida e marcante passagem pelo Cinema, sob a marca do também grande cineasta dinamarquês Lars Von Trier). O novo cume desta carreira brilhante reside em seu mais novo trabalho: “Volta”. Mais um disco excepcional, sonoramente lapidado de um modo a unir o que há de mais íntimo e exposto em cada um de nós. Sua voz inigualável embeleza as melodias, ora intimistas, ora ritmadas, ao som de batuques tribais, de um clima oriental, de um lirismo digno dos grandes musicais, de uma verdade escancarada. Uma miscelânea de sensações, de momentos, de sentimentos perpassam qualquer que seja aquele que aguce seus ouvidos a esta beleza que é “Volta”. E é uma viagem sem volta.
Portanto, artistas como esta jóia da “Terra do fogo e do gelo” ratificam em mim a certeza de que estarei sempre bem servido no meu desejo de experimentar o novo. Seja reinventado, seja realmente novidade. E me emociona perceber que são capazes de tocar em algo além de impressões em nossos tímpanos, mas em sentimentos recônditos, em necessidades de consumir com minhas emoções a qualidade artística que deles brotam. Por isso gosto tanto de Música e Cinema, pois ambos são terrenos férteis ao que mais aprecio na arte de apreciar Arte: a intenção de (re)fazer Arte.


2 comentários:

Aninha disse...

Babão...
KKKKKKKKKKK
Brincadeirinha!
Paixão é paixão! Hihi
Mas que cinema+música formam uma dobradinha perfeita, ninguém de bom gosto pode negar!
Xero!

Beth disse...

Higgus

Depois desse texto resolvi quebrar todos os paradigmas e conhecer um pouco mais de Björk. Talvez eu não tenha dado a chance que deveria para escutar mais e conhecer melhor, e depois, quem sabe, criticar. Fiz o contrário. Aconteceu o mesmo com LH e hoje eu amo. hehehe. Coloca um CD na bolsa pra me emprestar essa semana...!

amo