quarta-feira, outubro 11, 2006

Ensaio sobre a Maldade


O que é maldade? Para início de conversa, maldade é um pouco relativo...pois o que pode ser considerado maldade para a vítima, pode ser a solução para o seu algoz. Contudo, entendo ser a maldade um ato injusto de tal forma que prejudique outrem, impulsionado pela simples finalidade de prejudicar. A maldade está intrinsecamente ligada à inteligência e ao sofrimento. Inteligência de quem dá causa e sofrimento daquele sobre quem recaem estes efeitos.
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Sobre a inteligência: a minha humilde observação e minha leiga opinião sobre o cérebro dos seres vivos me faz perceber que, quanto mais inteligente for aquele ser, mais propício ele está de praticar atos maldosos. O que quero dizer, para exemplificar, é o fato de predadores caçarem mesmo quando não estiverem com fome. É como se a inteligência burlasse o equilíbrio da cadeia alimentar, transformando necessidades em privilégios. Agir maldosamente, ao meu ver, é tentar conseguir mais para si em detrimento de uma constante falta para o outro. Vi certaz vez num programa de televisão uma cena pavorosa de orcas caçando focas. As baleias, como seres inteligentes que são (e superiores às focas) não se contentavam simplesmente em se alimentar das focas. As orcas, nada mais, nada menos, desferiam golpes nas focas, de modo a jogá-las de uma lado a outro em pleno mar revolto. Como se espancassem as suas presas, não sei se para amaciar a carne, sei lá. Mas o que vi foi uma cena de um predador (inteligente) torturando a sua presa antes de abatê-la. Nós, homens, somos capazes da mesma coisa. Fazemos isto com as próprias orcas, belungas, golfinhos e quaisquer outros seres que nos trazem lucro. Fazemos isto com nosso Planeta!! Até com nossos semelhantes... É certo que a raça humana é 'hour-concour' na Arte da Maldade, e tanto assim o Homem consegue ser, que muitos se questionam se é da natureza da própria humanidade agir dessa forma. Ao meu ver, não. Mas que a nossa inteligência nos fornece a meticulosidade necessária para praticar tais atos, ah, isso ela dá. Ela nos concede a capacidade de criar planos, de bolar loucuras, de pisar sobre o que já está pisado. Como se o grande número de neurônios que possuímos nos impulsionasse a agir de forma injusta, provocando sofrimento e sentindo prazer pela dor alheia. E, assim, seguimos, vítimas de nossa própria maldade.
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Sobre o sofrimento: o outro lado da maldade é o de quem sofre. É o alvo do excesso de inteligência. E esse sofrimento não atinge apenas quem diretamente sofre as terríveis conseqüências desse mal, mas também aqueles que reconhecem essa injusta prática mordaz. A vítima da maldade geralmente é o lado mais fraco da relação. Leia-se mais fraco não pelo significado óbvio, mas pelo significado de ser aquela parte que, por estar em desvantagem por determinada razão, padece por isto.
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Assim, não reconheço a maldade como inerente ao Homem, mas como uma forma de exercício da fenomenal capacidade de raciocício. O pior é reconhecer que aquele que atua para o Mal é também aquele que sofre o Mal, num ciclo interminável de causas e conseqüências.
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E segue a cruel realidade. Um misto de vítimas e vitimados que se confundem no infindável rol de maldades que fazem parte, infelizmente, do que nos é mais comum: a vida.

Um comentário:

Beth disse...

pois é....cada dia me surpreendo com o que um ser humano é capaz de fazer com o seu semelhante....