sábado, dezembro 23, 2006

O moço da canção de ninar


A maioria das pessoas dizem que é difícilimo encontrar um grande amor. E talvez essa máxima seja verdadeira. Mas talvez o fato mais importante seja justamente porque ninguém nunca chegou ao consenso do que é o amor. Várias tentativas de explicá-lo já foram feitas...livros, poemas, frases, gestos, guerras e declarações fabricaram-se em nome desse rei dos sentimentos, mas entendo que seja tão difícil completar-se nesses assuntos justamente porque não foi ainda possível decifrar - não digo com a sensibilidade, mas com a realidade necessária - esse grande enigma.
Eram nesses pensamentos que a moça se envolvia enquanto se lamentava por mais uma tentativa ineficiente. Em seu caminho, ecos de uma grande expectativa ecoavam com freqüência insuportavelmente gritante. Porém, a vontade de quem acaba de perder uma grande batalha é de não angariar novos conflitos. E, assim, decidiu a moça que não mais forçaria encontrar algo que talvez nem sequer existisse. Seria como empreender uma busca incessante por algo por demais abstrato para seguir em frente...E, desse modo, procurou as chaves de sua clausura como conforto e a ela se presenteou. Deixou-se envolver pela segurança de suas paredes e pertences, envolta por recordações de alguém que um dia houvera sido.
Porém, muitas daquelas recordações a remetiam a um passado inacabado, que embora aparentemente estagnado, mostrava-se certamente irresoluto, indeciso acerca dos próximas previsões.Como se nunca tivesse deixado de ser presente, como se nunca fora passado.
E, da mesma forma inesperada com que se fez lembrar, foi a maneira como este longínqüo passado se reapresentou à vida da moça. Inerte em sua clausura, o contato social que ela empreendera com o mundo exterior praticamente anulou-se. E por lá ficou por um bom tempo.
Contudo, seu exercício de busca interior foi interrompido, certo dia, pelas batidas de alguém que chegara. Despertada de seus sonhos, ainda acreditava estar sonhando quando abriu a porta. Parado à sua frente, seu passado.
E, assim, os ecos que teimavam em surgir a cada boa memória de que se recordava materializaram-se nas formas das flores e da caixinha de música que o novo (antigo) moço carregava.O sorriso continuava o mesmo. Talvez mais bonito entre as rosas. O olhar emanava a mesma curiosidade misturada à complacência. Talvez mais vivo, por conta do reflexo que nele se encontrava.
A moça não pôde deixar de se emocionar ao ouvir as primeiras notas da canção que o moço entoava. Em suas mãos, uma bela caixinha de música ressonava uma meiga canção de ninar. A bailarina que rodopiava sobre os braços de seu par parecia representar em dança a beleza daquele momento.
Ainda incerta acerca das razões do moço da canção de ninar naquela visita inesperada, ambos conversaram horas a fio, ao som da música que prometia ser trilha sonora de todos os bons momentos que a partir dali ambos viveriam.
Como luz fraca que reascendera em flashes luminosos, assim renasceu o amor da moça pelo moço da canção de ninar, que a fez esquecer de todas as decepções amorosas de outrora, fazendo-a perceber que os acordes desafinados de todas as canções não eram ruins, mas apenas notas desencontradas com as suas próprias.
Daquele dia em diante, o moço da canção de ninar passou sempre a encontrar-se com a moça e, a cada encontro, maior era a certeza de que ambos eram moço e moça um do outro.
Sempre que fecha os olhos, a moça se recorda da canção que a conquistara e, a cada vez que os abre, sabe que o moço está ao seu lado para sussurrar a melodia em seus ouvidos.
Assim se fazem canções de ninar inesquecíveis, transformando a realidade que nos consome em sonhos inacabados que se tornam doces sinfonias aos tímpanos mais sensíveis, tocados pelas notas certas, nas horas certas.
É nesses momentos em que fica fácil perceber o quanto difícil é encontrar um grande amor. Porque as notas musicais precisam de um toque de destino para, juntas, alcançar a almejada harmonia.

2 comentários:

AMANDA disse...

e como,as notas precisam se encontrar para fazer notar a existência de um grande amor!!O que seria do amor sem música,e o que seria da música sem as notas em perfeita harmonia?Simplesmente isso é o amor,plena sintonia!!!
TE AMO...

Anônimo disse...

Eita, faz um milênio que não entro no teu Blog né?
Nem deixo um recadinho!
Bom, de fato estava e ainda estou muito ocupada, quando chego em casa tudo o que penso é em deitar e dormir, mas hoje bateu uma saudade de tu e resolvi deixar esse recadinho.
Olha, já mandei as fotos, chegou dessa vez, porque o primeiro email que havia mandado não tinha chegada que tu memandou email com lamentações né?!
uhauahuahauhauha
Bom, um bjo enorme para você e manda um pra Beth também tá!!!!!

Bjusssss
May