quarta-feira, setembro 13, 2006

Imperfeição


Eu amo o passado. Apesar de não conhecer História a fundo, nem ter uma mente ultrapassada, adoro olhar para trás e perceber o caminho que fiz. Eu gostaria de ter uma página anotada sobre cada episódio de minha vida e uma foto para cada cena importante. Gostaria de rever o áudio de cada frase que me fez sorrir ou chorar. Gostaria de presenciar novamente meus erros e meus acertos. De rir de minhas gafes, de minhas roupas antigas. Eu sou um completo saudosista do que se passou comigo.
Muitos dizem que o passado é para ser esquecido...Refuto fervosoramente essa afirmação! Por que hei de apagar de minha memória um roteiro completo de caminhos trilhados, que me ensinam com clareza qual o caminho que não devo seguir? Condordo, sim, em não andar para frente com a cabeça virada para trás! Isso, não!! Eu sou adepto da boa olhada por cima do ombro...
Escrever, por exemplo, é um de meus passatempos favoritos e das atividades que mais me ensinam a me conhecer. Cada linha que escrevo mostrará eternamente o que se passou na minha cabeça certo momento. Assim, cada texto que fica para trás surte efeito semelhante ao das páginas de diário e das fotos instantâneas que mencionei mais acima. Além de um ótimo hábito, escrever me faz traçar um roteiro de todas as minhas sensações, opiniões e sentimentos. Como é bom reler mais à frente o que escrevi mais atrás. E como é bom saborear minhas imperfeições...Por esta razão, não sou do tipo que busca a perfeição. Adoro os erros de meus textos (se forem de digitação, eu corrijo) e me divirto muito quando, depois de um certo tempo, vejo alguma colocação imatura, incoerente, ingênua. É como se olhasse para trás e pudesse mensurar de alguma forma o quanto mudei e o quanto sou capaz de (re) fazer melhor.
Ao meu ver, a letra é expressão do momento atual de quem escreve, com as imperfeições da época, com os riscos e imaturidades do passado em que escreveu seu texto. Logo, não deve ser mexido. Ele pode ser aprimorado esteticamente, concordo. Mas na hora!! Não depois!! O que vem depois é um retrato. E realizar uma espécie de "fotoshop' num texto do passado dá a mesma impressão artificial que a gente vê nas capas de revistas. Sou a favor da obra sem enfeites acrescidos, sem retoques. A favor do texto que retrate perfeitamente o que se foi.
É por esta maior razão que escrevo. Para poder me guiar não em busca da perfeição. Mas, sim, para me reconhecer nada menos como alguém imperfeito, em construção.

Um comentário:

thaís disse...

graças a deus tu escreve,e como escreve!!!
sorte a nossa de poder ler teus textos fantasticos!
bjoooooo