sábado, julho 08, 2006

Música


Eu e música é um negócio assim: amor à primeira vista. É muito difícil de se acostumar a gostar do som. Quando eu escuto as primeiras notas de uma música que vou certamente gostar muito, eu percebo naquele momento a medida exata do quanto eu vou gostar. Com música eu sou completamente diferente do que sou com as pessoas. Ou de como estou com as pessoas. Mas isso é papo pra outro momento.
Hoje eu vou falar de música. E, música...Ah, é uma das coisas desse mundo de que mais amo. Gosto tanto de ouvir música, que às vezes não sei porque não nasci com dom pra coisa...Está certo que nunca toquei num violão que não fosse pra desafiná-lo, e num microfone, que não fosse num videokê. Mas é que deve haver algum talento musical em algum lugar, que não seja no gosto de ouvir. Um dia eu encontro.
Por enquanto, vivo à procura de música boa, que me toque, a todo momento. Sou louco por novos sons e novas formas de cantar. Quanto mais original, quanto mais novidade, melhor. Quanto mais vontade de fazer ARTE diferente, melhor. Quanto mais vontade para evoluir e criar sensações diversas a partir de uma mistura de notas, melhor. O que é música boa, para mim?? É aquela que faz bem aos ouvidos. Aquela que inspira. Aquela cujo mote principal está longe do universo capitalista das gravadoras e das rádios comerciais. Música boa pra mim é a expressão do que um ser, chamado artista, tem dentro de si e apresenta para mim. E essa expressão que sai dele, chega em mim de um jeito diferente e assim vai...Uma criação de expressões diferentes. E a minha diversão de ouvir música vem daí. Não ouço música simplesmente por diversão. E a diversão, para mim, tem pouco a ver com ritmo, batida, simplesmente. Tem mais a ver com a mensagem da música. E, como expressão de Arte, ela deve conter , sim, a mensagem embutida na mistura da letra, com a melodia, com o arranjo, com a interpretação do cantor. E quando eu falo Arte, não falo no sentido culturalmente elitista, mas no sentido de valorizar uma forma de expressão tão piamente castigada. Valorizar uma música pela sua batidinha legal é o mesmo que reconhecer a qualidade de um quadro simplesmente por sua moldura. E a tela?? As tintas?? As cores?? Os detalhes??
Sinceramente, pessoas que gostam de "músicas" cujos versos principais ditam :"Lapada na racahada" ou "Vamo fazer um milk shake de num-sei-que-lá" não gostam de música.
Porque isso não é música!!!!!
Chamar isto de música é um ultraje àqueles que gastam horas com um violão nos braços tentando colocar seus corações em cordas que viram notas que viram letras que viram músicas.
Muitos podem dizer que estes protótipos de música são, sim, demonstrações culturais. Que são populares. E que, num futuro, talvez próximo, podem fazer parte do imaginário popular, se transfigurando numa espécie de demonstração folclórica-sensual dos excluídos sociais de outrora. Respondo a esta questão com dois argumentos: 1- vivo nos tempos atuais, logo, me preocupar com o que estas demonstrações podem vir a ser não é problema meu, pois a conjuntura social que vivo é esta, não a que virá; 2- Estas músicas pervertidas (sem falso-moralismo) são nada mais do que GOLPES de empresários com tino comercial que ganham muito dinheiro às custas da falta de cultura do povão. São verdadeiros mercenários, deseducadores, gatunos e salafrários, ao meu ver. Os chamados "empresários" dessas bandas de forró eletrônico e de brega em nada se preocupam com os peões que vão trabalhar para eles lá no palco. Aquele que vai lá e canta "Lapada na rachada" não significa nada, a não ser um operário da Empresa que vive de vender lixo sonoro. Quando um "cantor" ou "cantora" entram numa banda dessas, há outros tantos (vindos da periferia, pra manter a identificação) na fila à espera para substituí-lo, sem problemas. E, para mim, chamar isto de música é ferir a quem realmente gosta dela.
***
Pois bem.
Vejam que o título deste POST se chama "música". E era mesmo para ser uma homenagem àqueles todos envolvidos no trabalho mágico de transformar ouvidos em pontes para uma expressão cultural. E acabou sendo mais uma crítica aos que os transformam em ralos de esgoto. É, eu sou assim...Não consigo deixar de criticar. Mas esta crítica foi uma forma de defender uma expressão que me faz tão bem e da qual eu sou total escravo : a música.

2 comentários:

Beth disse...

Veja como são as primeiras impressões...No começo da Fcap tu fosse rotualdo por nós de crítico! Tá vendo q a gente tava certo!! Só pra completar o que a gente dizia no início: tu é um crítico da peiga!...Adorei o texto..concordo ctg em cada linha....música boa é mais do que uma melodia gostosa de ouvir..é letra..é expressão..!

thaís disse...

"canta para mim
qualquer coisa assim
sobre você
que explique a minha paz
tristeza nunca mais..."

amo vc!
bjooo