
sexta-feira, novembro 30, 2007
As chaves

quarta-feira, novembro 28, 2007
O cruzamento

segunda-feira, novembro 26, 2007
O drinque

- Você nem os perceberia.
sexta-feira, novembro 23, 2007
Carta pré-adolescente

Nunca quis de nada coisa alguma
Toda espera é eterna enquanto dura
Vida pensada é nenhuma
que não a ordem que se atura
Expectativa sem decepção
Impossível de achar
Nem naquela canção
Que você não soube cantar
Minha voz só no vento
Fez o eco do tremor de minha alma
Pois o aguardo dos seus alentos
Do jeito que pensas, não me acalma
Tenho a dor de te projetar em pensamento
Embora sofra por não tê-la ao peito
Tenho-na guardada, dentro
Mas por fora, nada feito.
Sei que é grave incentivar tristeza
E remoer dores, cruel demais
Mas é por sua beleza,
que meu coração corre atrás.
Difícil disfarçar, controlar qualquer fervor,
Mesmo em gente obscura como eu,
São assim, essas coisas de amor
Só não machucam aquele que disso já morreu.
terça-feira, novembro 20, 2007
Nasci para morrer

quarta-feira, novembro 14, 2007
Zoo
sexta-feira, outubro 26, 2007
Coisas de lençol

(Quinze minutos mais tarde. Mateus enrolado nos lençóis. Tânia se despe)
terça-feira, outubro 23, 2007
Eu sei

domingo, outubro 21, 2007
Eu não sei

Mas não quero
sábado, setembro 22, 2007
O condenado

Esconda em qualquer desculpa a minha farsa:
Fingida alegria de um sorriso de ator.
Diga que aquele que a amava ainda não voltou,
Minta que já estou noutra valsa
E não recluso nesta incurável dor.
Não gagueje, não se faça de desentendido;
Haja normalmente, como se fosse um simples recado.
Pergunte como está só por educação.
Nada de recuperação do amor perdido,
Nem melhoras de que algo bom está guardado...
Mas investigue tudo que puder daquele coração.
E lembre-se: sempre pose como alguém que nada quer!
Sabes bem como é mulher...
Se perguntar demais, desconfia;
Se nada disser, inventa história.
Decore tudo que ela falar, tim-tim por tim-tim,
Principalmente se for de mim.
Olhe seus dedos, veja aliança,
Note o pescoço, qualquer saliência.
Perceba se está arrumada, se parece querer ir-se logo.
Se anda bem vestida, perfumada
Se há alguém apressando-a para descer.
Qualquer coisa assim denunciativa de como está a viver.
Se houver alguém, te dirá, tenho certeza
Orgulhosa como ela, fará questão
De dar nome, sobrenome e profissão.
Não esqueça, meu amigo, siga todas minhas recomendações
Haja desse jeitinho, desse modo que eu te digo
São essas ações também um grande castigo!
Torço para que ela esteja bem, mas sem ninguém!
Ainda a amo como quem ainda quer voltar
Mas confesso que vê-la sofrer apenas um pouquinho
Compensará todos esses dias em que esperei pelo dia
Em que ela voltaria, assim, de mansinho,
E eu te pediria para mentir tudo isto por mim.
Não, não estou sendo bobo.
É que, amigo, quase morro...
E sei que um condenado que sobrevive a dores de amor
é mesmo assim.
sexta-feira, setembro 21, 2007
Hora do Adeus

quinta-feira, setembro 20, 2007
A humilhação de Antunes

Rogando uma praga à má sorte, enquanto aumentava copiosamente a vontade por uma privada, subiu as escadas, roçando as pernas no modo que todos fazemos para impedir um dilúvio, mãos em concha sobre seu órgão, inibindo qualquer jato involuntário. Ardência à vista ao se deparar com a porta trancada de sua doce Marilinha. Desespero em forma de suor na testa e caretas. A essa altura, batia na porta em sofrimento, rogando para que a filha abrisse a porta, a fim de aliviar sua tensão. Lá dentro, passos de um lado a outro. Não notou que eram quatro pés lá dentro a correr em outro tipo de desespero. Marília gritava que estava se trocando, não podia atender. Do lado de dentro, Marquinhos-Boladão, enrolado no lençol de infância de Marilinha, procurava suas roupas de baixo e suas calças, que se confundiam nos ursinhos de pelúcia e bonecas Barbie da garota.
Lá fora, um Antunes meio roxo, meio rosa, totalmente aflito, mãos quase dilacerando suas partes, olhava por todos os lados à procura de um vaso de plantas, vasilha de água do cachorro, qualquer coisa. Nada. Precisava agir rapidamente. Duas saídas: procurar novamente o banheiro de baixo e rogar ao filho que dividisse a privada por alguns segundos ou gritar pela piedade de Marta e atrapalhá-la. Escolheu a esposa, pois mais alguns passos descendo a escada significariam “Niagara Falls” descendo para a sala.
Voltava ao quarto pisando em ovos, deslizando pelo corredor num arrastar de dar pena, pensamentos focados em objetos sólidos. Última solução. Interromper Marta, sua difícil Marta, em seu momento mais seu. Já próximo da entrada do quarto, Marília começou a abrir a porta. “Graças, meu Deus”, pensou. Era agora ou nada. Antunes arriscou-se numa corrida fatal de volta ao quarto da filha, decidido a atropelá-la pelo caminho, se preciso. A urgência justificaria. No meio de seus metros rasos pelo corredor, viu a pontinha da cabeça de Marilinha observando pela porta até então entreaberta, numa atitude obviamente desconfiada a um observador em estado normal. Antunes mal notou a tentativa da filha de investigar a barra-limpa, decidido a passar até pela fina brecha que inexplicavelmente se mantinha. Dois segundos depois batia impetuosamente na porta trancada, dessa vez com um estampido.
Gritava, esbravejava, lágrimas copiosas faziam coro às batidas na porta, pressão total na parte de baixo dava o tom. A filha não respondia, enquanto a estranha correria e os sussurros se faziam perceber no quarto. A essa altura, havia pouquíssimo por fazer, sua cueca já pingava urina por todo o assoalho, mãos ainda em concha tentando impedir o desastre também se molhavam com o líquido quente e amarelo. Vazava por entre seus dedos, parede atingida, tapetes atingidos, vergonha atingida. Mais ainda quando apareciam ao mesmo tempo Marta coberta de espuma vinda do quarto, Diego angustiado pela escada, ambos chocados com a cena. Os gritos de Antunes, o rosto vermelho de Antunes, a raiva de Antunes explodiam junto com a pressão de sua uretra.
Abrindo a porta, Marilinha não viu alternativa senão revelar seu crime, no intuito de socorrer o pai perdido em apelos. Foi assim que Marta, Diego, Marilinha e Marquinhos-Boladão presenciaram a vergonha de Antunes. E foi desse mesmo jeito que Antunes, cuecas molhadas, pernas molhadas, mãos molhadas, preparava-se para matar aquele estranho que, junto com sua família presenciava sua humilhação. Pretendia fazê-lo engolir cada costura de sua cueca molhada e limpar cada poça de urina do assoalho com aquela língua furada.
Mas nada fez Antunes, pois Marta já o enxotava da cama, aos berros, derrubando-o no chão, enquanto ladrava pelos seus edredons, empapados por mililitros fedorentos de urina, os quais tentava freneticamente esfregar-lhes na cara, enquanto gritava loucamente: “Mijão! Mijão! Mijão!”, lembrando a Antunes como é difícil fugir da humilhação, quando ela se faz presente tanto nos sonhos quanto na vida real.
segunda-feira, setembro 17, 2007
Apenas uma festa

De cima de seus sapatos fechados coloridos, baixos e confortáveis para a pista de dança que a aguardava, desfilava sua saia armada até o meio das coxas, repleta de babados sobrepostos. Mais acima exibia belos colo e busto, emoldurados por um tomara-que-caia negro e tentador. Olhos marcantes dos cílios postiços e da sombra carregada formavam, juntamente com o batom vermelho, a tela perfeita para os seus cabelos novos, cortados a navalha no estilo e no despojamento. Franja caída sobre um lado do rosto, alargador na orelha a mostra. Estava pronta. Auto-estima nos céus a saborear tal momento.
Durante o trajeto da descida da escada, sentia o calor que emanavam os olhares de admiração, sorrisos nervosos a esperavam lá embaixo, abraços apertados, perfumes e beijos estalados seguiam ao seu encalço. Desceu, cumprimentou a todos, agarrou-se a seu cuba libre e dirigiu-se à pista de dança. Levava consigo uma fila indiana de adoradores e puxa-sacos, dentre convidados por educação e bicões. Poucos eram os que desejava estarem ali de coração. Mas muitos serviam mesmo para saciar seu gosto pelo exibicionismo e ostentação de riqueza e beleza.
Dirigiu-se à mesa de som, e de lá não saiu a noite inteira. Quem se encorajasse a disputar sua atenção com o som enfrentaria várias dificuldades, dentre um grito, um pulo e outro grito da aniversariante. Sempre de copo em punho, esbaldava-se ao som de seus artistas favoritos – White Stripes, Killers, Cure, Sounds, Mars Volta, Björk. Rocks pesados, batidas eletrônicas e muito sotaque inglês numa festa arrasadora, como nunca havia-se visto naqueles quarteirões luxuosos. Seguia ensandecida pela pista, braços torneados ao alto, derramando rum pelo queixo, pelo decote. Rodava sinuosamente pelos outros dançarinos, todos decididos a dividir um momento sequer de toda aquela atenção que ela espontaneamente roubava para si. Sua saia desenhava seus movimentos, deslizando sobre bonitas coxas brilhosas, que terminavam em batatas da perna fortes e marcadoras de ritmo.
No auge da festa, já envolta pelos demônios do álcool, pulou na piscina e lá continuou seu número por um bom tempo. Ao sair, não perdeu a desenvoltura, agora ainda mais sensual com a roupa molhada colada ao corpo, exibindo curvas, sensualidade e charme aos convidados. A estas alturas, a madrugada já dava mostras de potência total, o cheiro de alucinógenos era o oxigênio do ambiente. Pisava em balas e se cobria pela fumaça. Perdeu-se de si mesma ao som de Paranoid Android e num quarto qualquer da casa era comida pelo que parecia ser o Fifth Cent. Em seguida, apagou de prazer.
Anestesiada, levantou-se uma hora depois, enquanto lá longe Freddy Mercury entoava “Somebody to Love”. Apenas de saia, descalça, desceu as escadas, desligou a aparelhagem de som, quebrou alguns copos de algumas mesas, olhou ao seu redor. Ninguém. Como sempre havia sido.
As mesas todas no mesmo lugar em que deixara, à exceção de algumas cadeiras que derrubara durante a noite. No bar, uma garrafa e meia de rum detonado, e diversos tipos de bebidas intocadas no freezer. Havia bagunça, e, apesar de parecer ter sido por várias pessoas, fora feita por apenas uma, que mais uma vez recolhia-se à sua concha protetora, presa à apatia que conquistara através do hábito cruel de viver de ilusões. Naquela noite, iria dormir no chão do salão de sua festa de aniversário. Mesmo que sobre aquele chão apenas seus pés tenham comemorado mais um ano de uma vida solitária guiada por uma mente que se acostumara a imaginar coisas demais.
domingo, setembro 16, 2007
O diário de Amélia Rosenbal

Amélia Rosenbal, de tanto preservar sua incolumidade ao omitir dados como endereço e telefone, perdera seus relatos pessoais, suas impressões dos acontecimentos de sua vida, seus amores, seus crimes, seus desabafos... Imagino como agora deve estar se sentindo Amélia Rosenbal, aquela cujas confidências agora pairam em totalidade em poder de um estranho. Amélia Rosenbal está nas mãos de um estranho! Eu poderia decifrá-la nesse exato momento. Tê-la-ia despida em meus braços. Todas as suas fraquezas e talentos mais escondidos... Todos descritos em manual, à minha vista.
Não obstante a aparente separação definitiva entre Amélia Rosenbal e seu eu-descrito-por-ela-mesma, num primeiro momento, muni-me de uma moral inabalável, juramentando à minha consciência que jamais leria o diário de Amélia Rosenbal. Contudo, minha honestidade irrestrita aos poucos foi cedendo espaço à curiosidade de conhecer Amélia Rosenbal. Talvez nesse momento ela estivesse à procura de si mesma, louca desvairada fuçando os lixos alheios, batendo às portas de todos os moradores, convocando assembléias gerais à procura de um possível detentor provisório de suas intimidades. Mas nada. Nem sinal do desespero de Amélia Rosenbal. Para tranqüilizar minha consciência, pus um pequeno aviso simpático no quadro geral do condomínio, o qual dizia:
“Cara Amélia Rosenbal, se deseja reencontrar a si mesma, estou de posse de seu querido diário. Bloco Q, aptº 602. Ass.:Pelópidas Assunção.”
Quanto mais rápido os dias passavam, mais minha angústia por descobrir Amélia Rosenbal, mulher capaz de se perder tão assim de si mesma, sem chance de retorno... Um mês com a relíquia de Amélia Rosenbal em minhas gavetas, sem que ela desse alarde da grande perda, me foi suficiente para iniciar meu estudo sobre a natureza desta pessoa tão relapsa. Pretendia devorar cada linha escrita por aqueles dedos, decifrar cada volta daquela letra arredondada.
Amélia Rosenbal era dois anos mais nova do que eu, e não me recordava haver alguma artista plástica em todo o condomínio. Se bem que num conjunto de edifícios tão grande quanto o que moro, o mais comum é não saber de muitas coisas da grande maioria dos moradores. Mas como a vizinhança desse tipo consegue ser mais astuta do que a vã razão que nos finca os pés ao chão, supus, entre mil fofocas diárias, saber, nem que fosse por um detalhe, da existência de uma artista plástica chamada Amélia Rosenbal, assim tão próxima de mim.
Ahhh, Amélia Rosenbal. Pobre Amélia Rosenbal... Duas vezes divorciada, quatro filhos, dois de cada casamento, artista plástica sem formação acadêmica, ofício herdado pela maravilha da genética. Angustiada como ela, já no primeiro dia do ano foi capaz de tomar 5 calmantes de uma só vez para festejar a distância dos quatro filhos, os quais havia deixado todos de uma só vez aos cuidados dos pais respectivos. Amanda Rosenbal havia aprontado todas naquelas férias! Foi um janeiro regado a saídas diárias com suas amigas solteiras, visitas furtivas às casadas e casos amorosos com vários rapazes da academia de ginástica. Folhas e folhas relatando o resgate da capacidade de gozar novamente, perdida entre meses de preocupações com educação dos filhos e afazeres domésticos.
Criativamente falando, tratou-se de um mês extremamente produtivo para Amélia Rosenbal, que, dentre uma noitada e outra, encontrava estímulo e inspiração para estátuas de argila em formas de homens nus, quadros erótico-surrealistas e poesias sexualmente explícitas. Assim ela descrevia suas obras. Contudo, fevereiro, juntamente com o final das férias, anunciava o retorno das crianças, e era facilmente identificável o inferno astral de Amélia Rosenbal. No carnaval, limitou-se a assistir apenas o resultado do desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. ‘Nem as porras dos desfiles!!!’, assim escreveu em 18 de fevereiro.
E com esse rancor, essa saudade de um janeiro fogoso e libertário, foram os meses seguintes de Amélia Rosenbal. Em sua quase totalidade, seus relatos eram lamúrias de uma vida repleta de afazeres, de bloqueios criativos causados pelo excesso de responsabilidades e desejos ilusórios de abandonar todos com ‘o primeiro surfista sub-20 que encontrasse em Maracaípe’. Isso tudo até o fatídico dia 07 de abril. Dali em diante, páginas em branco... O que teria acontecido neste dia? Que diabos de desleixo teria se acometido Amélia Rosenbal, para deixar-se perder dessa maneira?
Já havia descartado a hipótese acalentadora de ser Amélia Rosenbal minha vizinha de condomínio... Nesta altura do campeonato, já desistira de encontrar minha amiga Amélia Rosenbal. Uma mulher admiravelmente lutadora, esforçada, tão carente de afeição... Eu, aqui, também divorciado, pensão alimentícia nas costas, com uma mulher deste porte e com tal necessidade de se completar, assim como eu...Ela estava nas minhas mãos, mas em forma de palavras sofridas...
Aos poucos, a aura perturbadora de Amélia Rosenbal foi se desmistificando de minha insanidade. Paulatinamente, minha rotina foi ocupando o lugar dos pensamentos que se iniciavam com o diário e terminavam num desejo dilacerado de encontrar Amélia Rosenbal.
Certo dia, quando Amélia Rosenbal havia se tornado apenas uma quase esquecida personagem de livro de cabeceira ofuscada pela minha necessidade de viver, deparei-me com uma manchete sensacionalista de jornal, que dizia exatamente assim: “Mulher se atira de empresarial no Pina”. Ao, despretensiosamente, ler o texto, o choque: era Amélia Rosenbal, dizia a reportagem!! Pobrezinha... Não resistira à dor de uma vida de via única, de desejos amputados e submissões infinitas... Não conseguira encontrar estímulos para viver, pobre Amélia Rosenbal...Não conseguira prolongar pelo resto do ano as fulguras de um janeiro feliz.
Já, eu, aqui na minha surpresa embasbacada, coração acelerado, e arrependimento por não ter evitado o triste fim de Amélia Rosenbal, choco-me ante à percepção de que a angústia nos leva mesmo a atitudes imedidas. Conheci tanto e tão bem Amélia Rosenbal por parte de sua vida, que declarei luto por semanas em respeito àquela que nunca me serviria de amor perdido, mas me serviria como um exemplo de felicidade a se encontrar. E sempre que as forças me faltarem nessa caminhada, terei sempre o diário de minha querida Amélia Rosenbal, a representar a mulher que nunca tive, e tanto tenho por alguns bons momentos de leitura, vez em quando.
segunda-feira, agosto 27, 2007
A revolta dos dezoito

quarta-feira, agosto 08, 2007
Abraços Grátis

Pode ser rapaz, pode ser uma menina
não há nessa esquina interesse algum
apenas o abraço de dois formando um
Tudo que talvez você queira
Na esteira de um dia dificil
seja esse novo ofício, minha atitude
de estender-lhe meus braços em solicitude.
Enconsta no meu peito,
sou de defeito e acerto como você,
não há por quê não entender
O que venho humildemente oferecer.
Oferto-te minha mão, minha humildade
Na certeza de seres meu semelhante,
Ante a beleza de sermos iguais errantes
No caminho correto de acertar quando podemos.
Nao te conheço, mas nossos caminhos aqui se juntam
Eis os meus braços os que te cruzam
Abusam da beleza de enxergar no desconhecido
Qualquer coisa que não um inimigo.
Sei que a vida moderna nos afasta
Uma baderna de tempos sem valor
Mas meu braço está aqui pra que percebas
e aceite que te enxergo com amor.
Pois um povo que se aquece
com o calor do abraço de quem não conhece
é um povo que se aceita
e que, sobretudo, se respeita.
http://www.youtube.com/watch?v=vr3x_RRJdd4
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ESTE QUE VOS ESCREVE ABRAÇA COM LOUVOR TAL INICIATIVA.
JUAN MANN, AUSTRALIANO, PRIMEIRO A PÔR EM PRÁTICA O QUE SE CHAMOU DE 'FREE HUGS', NÃO FOI APENAS O QUE INICIOU UMA BELA PRÁTICA, MAS ALGUÉM QUE TALVEZ TENHA INICIADO UMA NOVA FORMA DE VER O MUNDO. ATRAVÉS DA GENTILEZA DO BELO ATO DE ESTENDER OS BRAÇOS AO OUTRO.
sábado, agosto 04, 2007
Atravessando a ponte

Ele encontrou e não quis duvidar. Tanta falta de clichê poderia até ser...E não foi. Mas enquanto o poder do encantamento e da possibilidade do ‘quiçá’ fazia-se presente, ele enaltecia-se na esperança de uma nova paixão, de um novo amor. Parecia perfeita. Coincidências cinematográficas. Afinidade à flor da pele. Doces lembranças e imaginações diversas sobre o talvez de um possível encantamento. Porém, a vida lhe provou ser feiticeira. Traduziu tudo que houvera imaginado em possibilidade real. Controlou seu guidon contra a correnteza, tornando-o opressor das paixões alheias. Contudo, criou um inocente apaixonado.
Aparentava perfeição. Todas as frases. Todos os gestos. Tudo parecia inclinar-se à sua vontade, ao seu desejo. Os interesses pareciam encaixar-se, encontravam-se em seus pensamentos. Eram nitidamente colaterais, coordenados e convergentes. Eram. Passaram-se uma, duas oportunidades. Avultavam-se em significado e em importância. A cada gesto sua confiança crescia e cada momento perdido lhe era seu próprio calabouço. Mas, além de prisioneiro do azar, alimentava esperança da oportunidade.
Seguia, assim, no caminho tortuoso da probabilidade. Esta alicerçada nas interpretações superestimadas de alguém que espera demais. E foi a espera do melhor momento que o levou à ruína. A aparente perfeição do encontro começou a desmoronar quando, confiante no sonho, confrontou-se com a fria realidade. Não era ele a quem se destinava toda aquela quente doçura. A ele não pertencia a afinidade superinterpretada. Um outro alguém conquistara seu amor. No seu jeito de ser, havia feito de tudo para que ela percebesse seu afeto. Mas talvez a sua flor a fizera perceber o amor de outro alguém.
Para ele, tudo, até então, estivera irretocável. Tudo arranjado, combinado inconscientemente. A perfeição estava por vir; porém viera a decepção. Imaginara todo aquele jogo de conquista entre os dois. Tentara de todas as suas formas mais gentis estabelecer o limiar do compromisso abstrato. Ele era dela. Ela era sua. Até então.
Eis que o tempo passava, seus olhares iam ao encontro dos dela. Pareciam fugir-lhe ao controle. Sentia cada vez mais necessidade de proximidade, de fundir-se em saliva e sentimento. Porém, em sua gentileza de ser, esperou, não soube por quê. Talvez pela 'certeza', ignorando a possibilidade erradamente anunciada. Tal demora, ou tal erro crasso de interpretação, logo o pusera de frente com a verdade. Eram aos braços de outro a que ela se entregava. Era na boca do outro em que ela se perdia. Era o sorriso do outro o que ela procurava. O que lhe restava, resignação, apatia e saliva seca engolida no sofregar de uma música não-desejada. E ninguém percebia.
Enquanto afundava-se na tristeza, na dor de suportar, exatamente ao seu lado, aquela boca noutra boca, pensava em todos os pecados que outrora cometera. E se perguntava por que razão suas punições vinham tão depressa...Não se recordava de ser tão ruim, ao ponto de merecer tanto de tanta coisa. Enquanto se esforçava em atender aos desejos daqueles que requeriam a volta pra casa, num gesto egoístico de livrar-se também daquele espetáculo vexatório, pensava nos antídotos necessários para erguer-se daquele baque.
E assim foram eles. Em grupo, porém solitário. Conversando, porém em silêncio. Sorrindo, embora chorando. Tanto que, no momento da despedida, viu-se literalmente sozinho, abandonado, tendo lhe sido concedido apenas um breve gesto de adeus. Um aceno que lhe era dado em consideração, mas funcionava como uma adaga no peito, dilacerando todas suas expectativas mais inocentes.
Assim se foi ele, que antes era capaz de tão habilmente dividir sua racionalidade de seus sentimentos. Alguém que parecia sabiamente camuflar suas emoções, mas que, naquele momento, as entregara às pessoas mais estranhas, em forma de lágrimas e alma ferida. Aqueles que por ele passavam não imaginavam o quanto dissolvidas em seu rancor estavam suas emoções mais singelas. O quanto confundia-se com sua raiva a sua decepção mais agoniante. Ninguém naquele lugar poderia imaginar o quanto deixara para trás em prol daquele momento. E o quanto aquela escolha havia destruído sua boa intenção.
Entregue ao desespero de sua dor, relutou, como tantas vezes, a aceitar passivamente seu destino. Enfrentou-o, acompanhado apenas de sua sôfrega consciência, à procura de alguém com que pudesse dividir tal aflição. Atravessou o medo e o desespero da solidão, pela ponte mais deserta, em busca de um colo amigo, e, não encontrando-o em lugar algum, refugiou-se nas batidas dos tambores mais resistentes: a trilha de seu mais triste desespero. Fizera todo o caminho de volta sozinho. Na mais bela e terrível cena que poderia protagonizar. Enfrentara a madrugada, a ponte solitária e os ladrilhos molhados aos prantos, dissolvendo-se na lembrança daquele adeus frio e indigno e cruel.
Contudo, trôpega e dramaticamente, conseguiu voltar pra casa, sob o céu que chovia em líquido tudo aquilo que ele desejava chorar em lágrimas. Como numa das cenas mais tristes e clichês que poderia ter imaginado, entregou-se ao desorgulho do disfarce de sua tristeza, deixando cada lágrima como uma cicatriz que o ensinaria a crescer. Tivesse uma maquiagem, estaria borrada. Tivesse necessidade de atenção, seria o assunto do dia seguinte. Fosse um ser sentimental, estaria até agora inerte nalgum copo de cerveja.
Mas ele continuva sendo ele. A fortaleza. A rocha inatingível. O orgulho personificado, embora sem chão. E tal figura jamais seria manchada pela maior desilusão de sua vida. Tal imagem chegou a tremer ante o reflexo daquele abandono na madrugada; porém opaco diante daquele que deseja tanto mais para uma vida até então vivida de tanto menos. Assim sendo, enxugou as lágrimas secas em cicatriz, demonstrou a si mesmo que era capaz de erguer-se de qualquer decepção e limpou seus joelhos, até então sujos de tantas quedas em apenas uma noite. E foi-se em busca de uma felicidade diferente daquela que até então era fruto de sua mais criativa imaginação.
segunda-feira, julho 16, 2007
O assunto é esporte


A seleção de futebol não apenas venceu medalha, troféu e dinheiro. Não só apenas levou o bicampeonato da Copa América. Não somente classificou-se para a Copa das Confederações. Estas são meras conseqüências. O que mais me orgulho é a forma com que venceu! O jogo bonito, raçudo, confiante e certeiro que desfilou em campo. Não se via apatia, nada de jogo entregue, jogadas argentinas cortadas no meio-de-campo, bendita trave, bela defesa...Tudo conspirava a favor! Argentinos corriam de um lado a outro, num tango ensaiado, consciente e poderoso, mas ineficiente frente ao poderio do samba no pé dos jogadores brasileiros. Lançamento milimétrico de Delano, ajuda providencial de Ayala e passe profissional de Vágner Love desenharam o chocolate brasileiro aos nossos hermanos. Bela vitória!! Belo jogo!! Assim que se faz: gana, força e energia para fazer jus a uma camisa rica em história!!
É de encher de orgulho qualquer peito verde-e-amarelo. Podem paracer conquistas tímidas frente a qualquer nível de primeiro patamar, podem soar como raros os momentos de glória dourada de nosso esporte. Mas é dessa forma, e através de nosso reconhecimento, que podemos continuar vencendo, nos tornando, um dia quem sabe, uma potência olímpica de fazer tremer os adversários. Como em quase todos os setores sociais em nosso País, o esporte não possui o investimento necessário, cabendo-lhe incentivos privados, projetos sociais comunitários e pouca quase nada cultura esportiva de atividade transformadora. Muito a melhorar!! Muito!!!
Mas a certeza de que somos reconhecidos, além de por nossa condição de aprendizes em diversas modalidades, pela garra e pela vontade incontestável de entrar para vencer. No Panamericano, estou certo de que muitos dias como o de domingo hão de vir. E muitas vitórias mais, para fazer-nos alavancar no ainda apagado quadro geral de medalhas. Temos natação (Rebeca Gusmão!), ginástica individual, atletismo, finais de vôlei e handebol, muito, muito por vir. E com toda essa esperança, uma torcida sem fim, para realçar os tons de nossas bandeiras e para inflar-nos os peitos orgulhosos.
quarta-feira, julho 11, 2007
Eu sou mais Potter

terça-feira, julho 10, 2007
Tudo em cinza
